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sábado, 16 de maio de 2026



 CONSEGs: Por que são pouco conhecidos, pouco respeitados e por que raramente resolvem os conflitos reais da população.

Os Conselhos Comunitários de Segurança, conhecidos como CONSEGs, foram criados com a proposta de aproximar a população das forças públicas de segurança e criar canais de participação social. Na teoria, parecem um importante espaço democrático.
Na prática, porém, sua atuação é extremamente limitada, pouco efetiva e, muitas vezes, desconhecida pela própria população que deveria representar.

A QUESTÃO começa pela própria natureza institucional do CONSEG, ao contrário do que muitos moradores(as) imaginam, o CONSEG não possui poder de polícia, não fiscaliza estabelecimentos, não aplica multas, não fecha comércios irregulares, não realiza mediação formal de conflitos e não possui autoridade jurídica para impor decisões.
Seu papel é apenas consultivo e reivindicatório, ou seja: ele pode ouvir reclamações e encaminhá-las aos órgãos competentes, cobrando providências do Estado.
Nada além disso. Esse limite institucional produz uma grave distorção: muitos moradores recorrem ao CONSEG acreditando que ele poderá resolver conflitos concretos — como perturbação do sossego, poluição sonora, ocupação irregular do espaço urbano e insegurança local — mas acabam encontrando um espaço burocrático, sem força executiva e frequentemente capturado por disputas políticas locais.
Em muitos bairros, as reuniões se transformam em rituais formais de dos reclamantes, que acabam sofrendo ameaças e a exposição dos problemas sem qualquer consequência prática e efetiva.

As queixas são registradas, comentadas, debatidas e, ao final, pouco ou nada muda. Isso gera descrédito, a população deixa de comparecer porque percebe que o CONSEG não entrega solução concreta e ao mesmo tempo, o próprio poder público frequentemente não responde às cobranças formuladas pelos conselhos.
As Subprefeituras ignoram os ofícios e muitas vezes os Órgãos de fiscalização retardam providências, pelo fato dos reclamantes apoiarem os opositores a Prefeitura de São Paulo.

Demandas se acumulam sem resposta.



O CONSEG insiste!
O Estado silencia e os moradores(as) perdem a confiança, outro fator é a baixa divulgação institucional.
Grande parte da população sequer sabe que o CONSEG existe e para que serve. Poucos conhecem datas, pautas, regras de participação ou limites legais de sua atuação, e para participar da diretoria os(as) integrantes devem bater continência os(as) presidentes(as). Sem transparência, sem comunicação efetiva e sem resultado visível, o conselho se torna uma instância invisível.

Há ainda um problema POLITICO delicado: em alguns casos, certos CONSEGs passam a reproduzir interesses localizados, personalismos ou relações de proximidade excessiva com agentes públicos e setores econômicos da região, enfraquecendo sua independência crítica, como no caso do CONSEG Consolação, que usa o seu "pequeno poder", para fechar a Praça Rooselvelt, local da residência de membro do CONSEG.
Quando isso ocorre, deixam de ser espaço comunitário e passam a operar como mera formalidade institucional, perseguindo os opositores(as), que lutam pela ocupação dos espaços públicos.
Isso não significa que os CONSEGs sejam inúteis:
Quando funcionam bem, podem exercer pressão política legítima, produzir visibilidade pública, organizar demandas comunitárias e cobrar providências dos órgãos competentes. Mas é fundamental compreender seu limite:
CONSEG não substitui fiscalização administrativa.
CONSEG não substitui Ministério Público.
CONSEG não substitui Subprefeitura.
CONSEG não substitui ação judicial.
CONSEG não substitui mediação formal perante CEJUSC.
No caso dos conflitos urbanos complexos — como perturbação sonora reiterada, omissão estatal e lesão coletiva à qualidade de vida — a solução exige prova técnica, responsabilização administrativa, mediação institucional formal e eventual judicialização.
Esperar que o CONSEG resolva sozinho é transferir a ele uma função que a lei jamais lhe conferiu.
A população precisa conhecer essa verdade, de que a sociedade organizada tem muito mais poder, que um CONSEG.
Participação popular na POLITICA é essencial, MAS COM poder institucional real!.
O verdadeiro controle social EMANA DA SOCIEDADE, que exige dos órgãos públicos que fiscalizem, autuem, respondam e cumpram as leis, que são constitucionais.
Sem isso, qualquer conselho comunitário corre o risco de se transformar apenas em espaço de escuta sem consequência, e os(as) frequentadores(as) são apenas plateia da própria violação dos seus direitos.

Os Conselhos Comunitários de Segurança - CONSEG, foram criados através do Decreto Estadual nº 23.455, de 10 de maio de 1985 e regulamentado pela Resolução .
A organização popular é a principal ferramenta para a conquista de direitos e transformação social. Quando o povo se une em prol de um objetivo comum, sua força se multiplica, tornando-se capaz de mudar leis, derrubar opressões e construir uma sociedade mais justa.
"Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim que o mundo mudou." – Margaret Mead"

A liberdade jamais é dada pelo opressor, ela tem que ser conquistada pelo oprimido." – Martin Luther King"

A verdadeira força de uma nação está na união de seu povo." – Martin Luther King

"Proletários de todos os países, uni-vos." – Karl Marx (uma das frases mais emblemáticas sobre a organização da classe trabalhadora).

"Os movimentos sociais não tomam o poder.
Eles dissolvem o poder por meio da transformação mental." – Manuel Castells

Consciência de Classe e Luta Coletiva "Se o povo se organizar, não há tirania que resista."

"A força de uma nação não vem de seus governantes, mas da vontade e da organização de seu povo."
"O povo quando se une, não pede permissão; faz acontecer."

"Fracos unidos dificilmente serão vencidos; a união transforma a vulnerabilidade em uma força inabalável."

"Onde há opressão, a organização popular é a nossa maior arma.

"A união faz a força."

"Juntos somos um eco; organizados, somos uma tempestade."

"Uma gota d'água sozinha seca, mas juntas formam um oceano."

sexta-feira, 8 de maio de 2026

 

A financeirização da velhice: quando a vida idosa vira negócio e adoece

Envelhecer deveria significar dignidade, descanso, cuidado e reconhecimento por uma vida inteira de trabalho. Mas, no Brasil, a velhice tem sido transformada em mercado. A aposentadoria, que deveria garantir proteção social, passou a ser tratada por bancos e instituições financeiras como oportunidade de lucro. Esse processo tem nome: financeirização da velhice.

A financeirização acontece quando a vida da pessoa idosa é reduzida à sua capacidade de gerar renda para o sistema financeiro. A aposentadoria, o benefício previdenciário e até o BPC passam a ser vistos como garantia de crédito fácil para empréstimos consignados, refinanciamentos sucessivos e ofertas abusivas.

A pessoa idosa, muitas vezes pressionada pela alta do custo de vida, pelo desemprego de familiares, pela necessidade de comprar remédios ou pagar contas básicas, acaba recorrendo ao crédito como única saída. O problema é que esse crédito quase nunca resolve a dificuldade econômica: ele aprofunda o endividamento.

O resultado é perverso: parcelas descontadas diretamente da renda, comprometimento da subsistência, perda da autonomia financeira e dependência permanente de renegociações. A aposentadoria deixa de ser instrumento de proteção e vira mecanismo de captura financeira.

As consequências para a saúde são profundas.

O endividamento crônico gera ansiedade, depressão, insônia, sentimento de humilhação e sofrimento psíquico intenso. Muitas pessoas idosas desenvolvem crises de angústia ao perceber que trabalharam a vida inteira e, mesmo aposentadas, continuam presas a dívidas que parecem não ter fim.

O estresse financeiro contínuo eleva a pressão arterial, agrava doenças cardiovasculares, compromete o sistema imunológico e piora quadros de diabetes e outras doenças crônicas. Também pode acelerar processos de adoecimento cognitivo, agravando sintomas de confusão mental e perda de memória.

Além disso, a vergonha do endividamento leva muitas pessoas ao isolamento social. A pessoa idosa deixa de conviver, evita falar sobre dinheiro, perde autoestima e, em casos extremos, desenvolve sofrimento emocional grave.

Esse cenário não é acaso: ele é resultado de um modelo econômico que trata direitos sociais como mercadoria. Quando bancos lucram com a vulnerabilidade da velhice, há violação da dignidade humana.

O Estatuto da Pessoa Idosa garante prioridade absoluta à proteção da saúde física e mental da população idosa. A Lei do Superendividamento também protege consumidores contra práticas abusivas e determina preservação do mínimo existencial.

Dignidade não pode ser negociada.



É urgente denunciar a exploração financeira da velhice, fortalecer políticas públicas de proteção, ampliar educação financeira crítica e responsabilizar instituições que lucram adoecendo quem deveria estar protegido.

Uma sociedade justa não mede o valor da pessoa idosa pelo limite de crédito que ela possui, mas pelo respeito que oferece à sua história.

Coletivo " O Direito Achado na Rua".

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