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domingo, 31 de maio de 2026

 

O SILÊNCIO NUNCA PROTEGE AS CRIANÇAS

Por Coletivo O Direito Achado na Rua

O Brasil costuma lembrar da violência sexual contra crianças e adolescentes apenas em datas simbólicas. Durante o Maio Laranja, multiplicam-se campanhas, discursos e manifestações de repúdio. Mas, quando as luzes das campanhas se apagam, milhares de crianças continuam convivendo diariamente com o medo, a violência e, muitas vezes, com seus próprios abusadores.

O silêncio nunca protegeu uma criança.

Quem trabalha diretamente com vítimas sabe que a violência sexual infantil não é uma estatística. Ela tem rosto, nome, história e consequências profundas que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.

Nos atendimentos realizados pelo Coletivo O Direito Achado na Rua, acompanhamos dezenas de casos de violência sexual infantil. Crianças muito pequenas, algumas vítimas desde os primeiros meses de vida, carregam marcas físicas, emocionais e psicológicas difíceis de descrever.

O que mais nos preocupa é que, em muitos casos, mesmo diante de denúncias, laudos médicos, relatórios psicológicos e outros elementos apresentados pelas famílias, as crianças continuam sendo obrigadas a manter contato com os supostos agressores por determinação judicial.

As chamadas visitas assistidas, que deveriam existir para proteger, frequentemente transformam-se em experiências extremamente dolorosas para crianças que já vivenciaram situações traumáticas.

Mães relatam que, após esses encontros, seus filhos retornam em profundo sofrimento emocional: crises de ansiedade, medo intenso, regressão comportamental, insônia, enurese noturna, automutilação, arrancamento de cabelos e cílios, entre outros sinais de sofrimento psíquico.

Esses relatos precisam ser ouvidos com seriedade.

Proteger uma criança exige mais do que formalidades processuais. Exige escuta qualificada, sensibilidade e compromisso com o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Também é necessário reconhecer que a violência não atinge todas as crianças da mesma forma.

No Brasil, crianças e adolescentes negros estão mais expostos à violência, à exploração, à vulnerabilidade social e à ausência de proteção institucional. Meninas negras são frequentemente as mais invisibilizadas nos sistemas de proteção e justiça.

Por isso, o enfrentamento da violência sexual infantil precisa dialogar com as desigualdades raciais, sociais e de gênero que estruturam nossa sociedade.

A reflexão da jornalista e pesquisadora Júnia Carvalho merece destaque: não basta denunciar e punir. É fundamental investir em prevenção.

A educação para os direitos humanos, o conhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, a construção de ambientes seguros e a formação continuada de profissionais da educação, saúde, assistência social e sistema de justiça são medidas indispensáveis.

Falar sobre proteção não estimula a violência. O silêncio, sim, favorece os agressores.

Crianças precisam saber que têm direitos.

Precisam saber identificar situações de risco.

Precisam encontrar adultos capazes de ouvir sem julgar e agir sem omissão.

A violência sexual infantil não pode ser tratada apenas como um problema familiar. Trata-se de uma grave violação de direitos humanos e uma responsabilidade coletiva.

Cada denúncia acolhida pode salvar uma infância.

Cada criança protegida representa uma sociedade mais justa.

O silêncio nunca protege.

Proteger é agir.

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

MEMORIAL NACIONAL VIRTUAL 

FORAM MAIS DE 700 MIL VIDAS


O Brasil carrega uma das maiores dores coletivas da sua história. Mais de 700 mil vidas foram interrompidas pela pandemia da COVID-19.

Entre elas, jovens, crianças, pessoas idosas, muitas pessoas negras, indígenas, pessoas com e sem deficiência, profissionais da saúde, médicas(os), enfermeiras(os), trabalhadores e trabalhadoras essenciais, mães, pais, filhos e amigos e amigas.


O Memorial Nacional Virtual nasce como um espaço coletivo de homenagem, acolhimento e resistência. 
Um lugar para preservar a memória nacional, daqueles que se foram e para reafirmar que cada vida importa.
Porque números não contam a dimensão do amor perdido, dos abraços interrompidos e das famílias destruídas.
Cada pessoa que partiu deixou histórias, afetos, sonhos e lembranças que jamais poderão ser apagadas.

Relembrar é um ato de humanidade, memória e responsabilidade social, quantas crianças e jovens foram institucionalizados, e ate hoje contam com um futuro incerto.

O esquecimento não pode vencer a dor de milhares de famílias que ainda convivem com o luto, a saudade e as consequências emocionais e sociais da pandemia. Também é importante lembrar que muitas pessoas faleceram precocemente deixando para trás seus animais de estimação.

Durante a pandemia, inúmeros cães e gatos foram abandonados após a morte de seus tutores e tutoras, tornando-se vítimas invisíveis dessa tragédia humanitária. 

Eles também fazem parte desta memória e merecem cuidado, proteção e solidariedade.

Nosso painel virtual homenageará a diversidade do povo brasileiro, reunindo imagens e histórias de pessoas jovens, crianças, pessoas negras, asiáticas, indígenas, pessoas com e sem deficiência, profissionais da saúde e famílias atingidas pela pandemia. 

Queremos construir um espaço de memória viva, respeito e reparação histórica.
🌻 Memória, Verdade, Justiça e Reparação.
Para que nenhuma vida seja esquecida.
Para que nenhuma dor seja invisibilizada.
Para que tragédias como essa jamais se repitam.
✊🏽 Uma ação afirmativa dos movimentos sociais:
Coletivo “O Direito Achado na Rua”
Instituto Pró Vítima
AVICO-Brasil – Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da COVID-19 e tantas outras associações, coletivos, movimentos sociais, que se unirão nesta onda de solidariedade!
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