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sábado, 23 de maio de 2026

Por Justiça, Responsabilidade Democrática e Cooperação Internacional


Às autoridades do Poder Judiciário da República Italiana,
À Magistratura italiana,
Ao povo italiano comprometido com a democracia e o Estado de Direito,

 

Nós, BRASILEIROS e BRASILEIRAS, cidadãos e cidadãs comprometidos com a justiça social, com a memória democrática e com a dignidade das instituições públicas, dirigimo-nos respeitosamente a Vossas Excelências para clamar pela estrita observância dos princípios da cooperação jurídica internacional e para que seja analisado com o máximo rigor o pedido de extradição envolvendo a deputada licenciada Carla Zambelli.


             

A ex-deputada Carla Zambelli não foi processada ou julgada pelo crime de tentativa de homicídio em relação ao episódio nos Jardins, em São Paulo, ocorrido nas vésperas das eleições de 2022. Na ocasião em que ela perseguiu o jornalista Luan Araújo armada, a acusação correu pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e resultou na condenação da parlamentar pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma.
Os detalhes do caso e da condenação incluem:
  • Dinâmica do Caso: A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) concentrou-se na perseguição e no constrangimento sofridos pela vítima na via pública, além do porte ostensivo da arma. O disparo ocorrido no local foi realizado por um segurança da deputada, que chegou a ser preso em flagrante na época.
  • Condenação no STF: Em decisão do Plenário do STF, Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto, além de multa equivalente a 400 salários-mínimos.




A democracia brasileira foi profundamente ferida por atos de desinformação, radicalização política e ataques reiterados às instituições republicanas. Entre figuras públicas associadas a esse processo, a atuação política de Carla Zambelli esteve marcada por episódios de alta gravidade institucional e social, frequentemente associados à disseminação de discursos polarizadores e projetos legislativos criticados por amplos setores da sociedade civil por seu caráter desconectado das reais necessidades do povo brasileiro.

O episódio mais emblemático e alarmante ocorreu em 29 de outubro de 2022, na véspera do segundo turno presidencial, quando Carla Zambelli foi filmada armada perseguindo o jornalista negro Luan Araújo pelas ruas do bairro dos Jardins, área nobre da cidade de São Paulo, enquanto ordenava que ele se deitasse no chão. O caso gerou pânico social, ampla repercussão internacional e levantou questionamentos jurídicos sobre abuso, ameaça e violação das normas eleitorais vigentes. Vídeos divulgados pela imprensa nacional colocaram em dúvida a versão apresentada por ela sobre o ocorrido.

A gravidade do episódio se acentua diante da dimensão racial e simbólica do fato: um homem negro acuado sob a mira de uma arma, em via pública, em um país cuja história é marcada pelo racismo estrutural e pela violência seletiva.

Não se trata de perseguição política.
Trata-se de responsabilidade jurídica.

A Itália, berço histórico do constitucionalismo moderno e da tradição humanista europeia, possui compromisso inequívoco com os princípios universais da legalidade, da dignidade humana e da cooperação entre nações democráticas.

Receber proteção internacional não pode servir como escudo contra a responsabilização legal por atos praticados contra a ordem democrática e contra direitos fundamentais.

DOS PEDIDOS:

1. Que o pedido de extradição seja analisado com a máxima seriedade jurídica;
2. Que não se admita a instrumentalização política de mecanismos de dupla cidadania;
3. Que prevaleça o espírito de cooperação entre Brasil e Itália no combate à impunidade;
4. Que a Justiça italiana reafirme, por sua decisão, que nenhuma autoridade pública está acima da lei.


A história ensina que democracias não colapsam apenas por golpes explícitos, mas também pela tolerância cotidiana a abusos de poder.

Que a Justiça italiana esteja à altura de sua tradição republicana.

Por memória, verdade, democracia e justiça social.

São Paulo, 23 de maio de 2026

Per la giustizia, la responsabilità democratica e la cooperazione internazionale

Alle autorità giudiziarie della Repubblica Italiana,
Alla Magistratura italiana,
Al popolo italiano impegnato per la democrazia e lo stato di diritto,

Noi, cittadini impegnati per la giustizia sociale, la memoria democratica e la dignità delle istituzioni pubbliche, ci rivolgiamo rispettosamente alle Vostre Eccellenze per chiedere la rigorosa osservanza dei principi della cooperazione giuridica internazionale e che la richiesta di estradizione relativa alla deputata sospesa Carla Zambelli venga analizzata con il massimo rigore.
La democrazia brasiliana è stata profondamente ferita da atti di disinformazione, radicalizzazione politica e ripetuti attacchi alle istituzioni repubblicane. Tra le figure pubbliche associate a questo processo, l'attività politica di Carla Zambelli è stata caratterizzata da episodi di grande rilevanza istituzionale e sociale, spesso legati alla diffusione di discorsi polarizzanti e a progetti legislativi criticati da ampi settori della società civile per la loro disconnessione dai reali bisogni del popolo brasiliano.


L'episodio più emblematico e allarmante si è verificato il 29 ottobre 2022, alla vigilia del secondo turno delle elezioni presidenziali, quando Carla Zambelli è stata ripresa armata mentre inseguiva il giornalista nero Luan Araújo per le strade del quartiere Jardins, una zona residenziale di lusso di San Paolo, ordinandogli di sdraiarsi a terra. Il caso ha generato panico sociale, ampie ripercussioni internazionali e sollevato interrogativi legali su abusi, minacce e violazione delle norme elettorali vigenti. I video diffusi dalla stampa nazionale hanno gettato dubbi sulla sua versione dei fatti.

                      


La gravità dell'episodio è accentuata dalla dimensione razziale e simbolica dell'evento: un uomo di colore messo alle strette sotto la minaccia di una pistola in una strada pubblica, in un Paese la cui storia è segnata da razzismo strutturale e violenza selettiva.

Non si tratta di persecuzione politica.

Si tratta di responsabilità legale.

L'Italia, culla storica del costituzionalismo moderno e della tradizione umanistica europea, ha un impegno inequivocabile nei confronti dei principi universali di legalità, dignità umana e cooperazione tra nazioni democratiche.

La protezione internazionale non può eludere la responsabilità legale per atti commessi contro l'ordine democratico e i diritti fondamentali.

Chiediamo pertanto:

1. Che la richiesta di estradizione venga analizzata con la massima serietà giuridica;

2. Che non si permetta la strumentalizzazione politica dei meccanismi della doppia cittadinanza;

3. Che prevalga lo spirito di cooperazione tra Brasile e Italia nella lotta contro l'impunità;

4. Che il sistema giudiziario italiano riaffermi, con la sua decisione, che nessuna autorità pubblica è al di sopra della legge.

La storia ci insegna che le democrazie crollano non solo a causa di colpi di stato espliciti, ma anche per la tolleranza quotidiana degli abusi di potere.

Che il sistema giudiziario italiano sia all'altezza della sua tradizione repubblicana.

Per la memoria, la verità, la democrazia e la giustizia sociale.

Brasile, maggio 23/ 2026.






quarta-feira, 20 de maio de 2026

Manifesto à Sociedade Brasileira e às 

Famílias Enlutadas da Pandemia

Ao povo brasileiro,
Às mães e pais que enterraram seus filhos,
Aos filhos e filhas que perderam seus pais,
Aos avós que partiram sem despedida,
Às famílias brasileiras marcadas para sempre pela ausência.


O Brasil carrega uma ferida aberta.




Não se trata apenas de uma tragédia sanitária. Trata-se de uma tragédia humana, política, ética e histórica.

Milhares de famílias brasileiras foram condenadas à dor irreparável não apenas pela força devastadora de um vírus, mas também por decisões políticas, omissões deliberadas, negligência institucional e campanhas de desinformação promovidas durante a crise sanitária mais grave de nossa história recente.

Cada cadeira vazia à mesa, cada fotografia transformada em saudade, cada história interrompida carrega o peso de escolhas que poderiam ter sido diferentes.

A pandemia revelou o melhor da solidariedade brasileira, mas expôs o pior da irresponsabilidade pública.

Enquanto profissionais da saúde tombavam em hospitais superlotados, enquanto famílias imploravam por oxigênio, leitos, vacinas e dignidade, o governo de Jair Bolsonaro e ministros que o acompanharam em sua política negacionista desacreditaram a ciência, atacaram medidas sanitárias, estimularam aglomerações, atrasaram respostas institucionais urgentes e lançaram dúvidas onde deveria haver proteção e cuidado.

Essa escolha política teve consequências humanas concretas.

A morte de tantos brasileiros e brasileiras não pode ser reduzida a estatísticas frias nem apagada pelo tempo.

São nomes.
São rostos.
São sonhos interrompidos.

São crianças órfãs. São famílias devastadas. São pessoas com sequelas permanentes. São brasileiros que seguem vivos, mas carregam as marcas profundas da omissão estatal.

Escrevemos esta carta movidos pela dor do luto e pela amarga consciência de que muito desse sofrimento poderia ter sido evitado.

Se o governo federal tivesse apoiado a ciência, promovido a vacinação de forma célere, respeitado protocolos sanitários e exercido liderança pública responsável, milhares de vidas poderiam ter sido preservadas.

Escrevemos movidos pela responsabilidade histórica.

O luto coletivo brasileiro não pode ser silenciado, relativizado ou sequestrado por conveniências partidárias.

Quando decisões políticas ampliam sofrimento evitável, toda a sociedade tem o dever moral de reconhecer, investigar e exigir responsabilização.

Por isso afirmamos com clareza:

A condução política da pandemia pelo governo Bolsonaro deve ser registrada pela história como um dos mais graves episódios de negligência institucional da República.

Os agentes públicos que contribuíram para disseminar desinformação, sabotar medidas sanitárias e retardar respostas essenciais devem ser investigados e, comprovadas responsabilidades legais, responsabilizados em todas as esferas cabíveis — política, civil, administrativa e penal, nacional e internacionalmente.

Às famílias enlutadas, dizemos: Vocês não estão sozinhas.

Sua dor é parte da memória nacional.
Seus mortos importam.
Sua indignação é legítima.
Seu direito à verdade, à reparação e à justiça é inegociável.

À sociedade brasileira, fazemos um apelo:

Que jamais naturalizemos a morte evitável.
Que jamais aceitemos o negacionismo como opinião legítima diante da ciência e da vida.
Que jamais permitamos que projetos de poder valham mais que a dignidade humana.

A memória dos que partiram exige vigilância democrática.

Exige compromisso com a ciência.
Exige instituições fortes.
Exige responsabilidade pública.
Exige humanidade acima da ideologia.

Que a história registre com clareza quem escolheu proteger vidas e quem escolheu o cálculo político.

E que o Brasil, olhando para seus mortos, encontre coragem para reconstruir um pacto nacional baseado na verdade, na reparação histórica, na responsabilidade pública e no respeito absoluto à vida.

Pelos que se foram.
Pelos que ficaram.
Pelo Brasil que não pode esquecer.




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